Publicado por: Arthur Barbosa | março 6, 2011

“BBB” lucra mesmo com audiência em queda

Em seu primeiro mês no ar, o “Big Brother Brasil 11″ registrou a audiência mais baixa de todos os tempos.

Até 24 de fevereiro, o reality show teve, em média, 25,2 pontos no Ibope, quase metade dos 45,7 pontos registrados na quinta edição, seis anos atrás (cada ponto equivale a 58 mil domicílios na Grande São Paulo).

O programa, dirigido por Boninho, está em queda livre desde 2005, quando conquistava quase 70% dos televisores ligados. Agora, são 41%, média relativamente baixa para a Globo.

Paradoxalmente, o faturamento tem aumentado. A atual edição rendeu à emissora cerca de R$ 380 milhões. A cota principal de patrocínio, que custava R$ 13,5 milhões no ano passado, hoje é vendida a R$16,9 milhões. A Globo está em conversas com a Endemol (empresa dona do formato) para transmitir o programa até 2020.

Mônica de Carvalho, vice presidente de mídia e business da DM9, agência que anuncia quatro produtos no “BBB”, diz que, embora a audiência caia, “o resultado ainda é muito significativo”.

“Audiência sozinha não significa mais nada”, diz. “O ‘BBB’ pode estar caindo na TV aberta, mas ele é hoje uma plataforma. Está nos canais a cabo, no Twitter, em várias páginas da internet.”

Rodrigo Carelli, diretor do reality “A Fazenda”, da Record, principal concorrente do “Big Brother”, diz que os números de audiência têm que ser relativizados: “O jeito de assistir à TV tem mudado”. Ele acredita que os reality shows “ainda vão existir no Brasil por muito tempo”. Procurado pela Folha, Boninho não quis se manifestar.

PROFISSIONALIZAÇÃO

A pesquisadora e crítica Ilana Feldman, autora do estudo “Paradoxos do Visível – Reality Shows, Estética e Biopolítica”, diz que o programa tem ficado cada vez mais “profissionalizado”.

“No começo havia tipos variados. Hoje o elenco é muito homogêneo.” Feldman cita os primeiros vencedores para ilustrar a tese: “Ganharam Cowboy, Mara, Cida. Eram pessoas mais simples, que remetiam à ideia de Brasil profundo”.

Ela diz que a vitória de Diego Alemão, na sétima edição do “Big Brother Brasil”, gerou um novo tipo de participante. “A partir dele, o ganhador passou a ser aquele que sabe jogar. Rafinha, Max e Dourado, que conquistaram o prêmio desde então, eram homens, sarados, empreendedores de si. Acho assustador esse padrão.”

Para Feldman, a queda da audiência pode estar associada a uma pasteurização do perfil dos participantes.

“O atual critério de composição é tipificador. Reduz os outros a classificações identitárias, a estereótipos. Em reality show, a palavra mais importante não é ‘reality’, mas ‘show’,” afirma.

NA TV
Big Brother Brasil 11
Reality dirigido por Boninho
QUANDO Hoje, às 19h10, na Globo
CLASSIFICAÇÃO 10 anos

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